O calçado de segurança e proteção é um Equipamento de Proteção Individual destinado a proteger os pés contra riscos mecânicos, térmicos, elétricos, químicos e ambientais identificados na avaliação de riscos da atividade profissional. A sua utilização é obrigatória sempre que exista risco de queda de objetos, esmagamento, perfuração do solo, escorregamento, contacto com superfícies quentes ou exposição a agentes agressivos.
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Ao contrário do calçado convencional, o calçado certificado integra requisitos técnicos definidos no Regulamento (UE) 2016/425 e cumpre normas harmonizadas como a EN ISO 20345 e a EN ISO 20347, garantindo resistência a impacto até 200 joules, propriedades antiderrapantes, dissipação eletrostática e desempenho ensaiado em laboratório.
Esta categoria inclui soluções técnicas para profissionais de diferentes setores e funções específicas. Na construção civil, pedreiros, carpinteiros, armadores de ferro, encarregados de obra e operadores de máquinas necessitam de botas de segurança S3 ou S7 com proteção anti-perfuração e resistência à água. Na indústria metalomecânica, soldadores, serralheiros e operadores fabris requerem modelos com resistência térmica (HRO) e proteção reforçada contra projeções de partículas quentes.
Em ambientes logísticos e armazéns, operadores de empilhador, motoristas de pesados e técnicos de distribuição beneficiam de sapatilhas de proteção S1P ou S3 com elevada resistência ao deslizamento (SRC) e absorção de energia no calcanhar. No setor elétrico e energético, eletricistas e técnicos de manutenção industrial necessitam de calçado com propriedades antiestáticas (ESD) ou isolamento elétrico conforme normas específicas.
Na indústria alimentar e hotelaria, cozinheiros, operadores de produção alimentar e profissionais de restauração exigem calçado antiderrapante, resistente a gorduras e fácil higienização. Em clínicas, hospitais e lares, enfermeiros, auxiliares de saúde e técnicos de diagnóstico recorrem frequentemente a socas hospitalares certificadas segundo a norma EN ISO 20347, privilegiando conforto prolongado e segurança em pisos escorregadios.
Para ambientes agrícolas e florestais, bem como para serviços municipais e autarquias, as galochas de proteção e botas impermeáveis S4 ou S5 garantem resistência à água, tração e proteção mecânica adequada a terrenos irregulares.
A classificação técnica SB, S1, S1P, S2, S3, S5, S7 e respetivas variações como CI, HI, HRO, WR ou ESD, permite identificar de forma objetiva o nível de proteção adequado a cada profissão e contexto operacional. A seleção do modelo deve sempre resultar da análise do risco real da função desempenhada e das exigências do ambiente de trabalho.
Perguntas Frequentes - FAQS.
Esclareça as principais dúvidas
É obrigatório usar calçado de segurança no trabalho?
Sim, sempre que a avaliação de riscos identifique possibilidade de queda de objetos, esmagamento, perfuração, escorregamento ou exposição térmica. Em setores como construção civil, indústria, logística, metalomecânica e serviços técnicos, o calçado de segurança é de utilização obrigatória.
O que é calçado ESD e quando é necessário?
O calçado ESD dissipa cargas eletrostáticas acumuladas no corpo. É necessário em ambientes eletrónicos, indústrias sensíveis a descargas elétricas e zonas ATEX.
Qual a diferença entre biqueira de aço e biqueira de compósito?
A biqueira de aço oferece elevada resistência mecânica.
A biqueira de compósito é mais leve, não metálica, não conduz eletricidade e não ativa detetores de metais.
Quanto tempo dura um par de botas de segurança?
A durabilidade depende da intensidade de utilização e do ambiente de trabalho. O calçado deve ser substituído quando houver desgaste da sola, deformação da biqueira ou perda das propriedades antiderrapantes.
Posso usar sapatos sem biqueira como calçado de segurança?
Não. Sapatos sem biqueira estão normalmente classificados segundo a norma EN ISO 20347 (ocupacional) e não substituem calçado de segurança certificado com a norma EN ISO 20345 quando há risco de impacto.
Que calçado é indicado para frio intenso?
Modelos com classificação CI (isolamento contra frio) e resistência à água são indicados para trabalhos exteriores em inverno ou câmaras frigoríficas.
O que significam as classificações técnicas da norma EN ISO 20345?
A norma EN ISO 20345 define os requisitos do calçado de segurança com biqueira resistente a impacto de 200 joules. As classificações indicam o nível de proteção oferecido pelo modelo.
SB - Requisitos mínimos. Biqueira com resistência a impacto de 200 joules e compressão até 15 kN.
S1- SB + propriedades antiestáticas (A) + absorção de energia no calcanhar (E) + resistência da sola a hidrocarbonetos (FO).
S1P- S1 + palmilha anti-perfuração (P).
S1PL- S1 + resistência à perfuração com elemento não metálico (L – ensaio com prego fino 4,5 mm segundo EN ISO 20345:2022).
S1PS- S1 + resistência à perfuração com elemento metálico ou não metálico (S – ensaio com prego padrão 4,5 mm).
S2- S1 + resistência à penetração e absorção de água pela parte superior (WRU).
S2PS- S2 + resistência à perfuração (S).
S3- S2 + resistência à perfuração (P) + sola com relevo (antiderrapante reforçada).
S3L- S3 + resistência à perfuração com elemento não metálico (L – norma 2022).
S3S- S3 + resistência à perfuração com elemento metálico ou não metálico (S – norma 2022).
S4- Equivalente a S1, mas aplicável apenas a calçado totalmente moldado em borracha ou polímero (Classe II). Inclui resistência a hidrocarbonetos (FO).
S5- S4 + resistência à perfuração (P) + sola com relevo.
S7L- Nova classificação da EN ISO 20345:2022. Equivalente a S3 com resistência total à água (WR) + resistência à perfuração tipo L.
S7S- Equivalente a S3 com resistência total à água (WR) + resistência à perfuração tipo S.
O que significam as marcações e propriedades adicionais no calçado de segurança?
Para além da classificação principal (S1, S3, S5, S7, etc.), o calçado de segurança pode incluir marcações adicionais que identificam propriedades específicas certificadas segundo a EN ISO 20345.
A – Propriedades antiestáticas, reduzindo a acumulação de cargas elétricas.
CI – Isolamento contra frio, limitando a transmissão térmica da sola em ambientes frios.
HI – Isolamento contra calor, reduzindo a transmissão térmica da sola em ambientes quentes.
HRO – Resistência da sola ao calor por contacto até 300°C durante tempo determinado.
WR – Resistência total à penetração de água, garantindo impermeabilidade do conjunto do calçado.
FO – Resistência da sola a óleos e combustíveis.
E – Absorção de energia na zona do calcanhar, contribuindo para maior conforto e redução de impacto.
SC – Resistência ao desgaste da biqueira, protegendo contra abrasão frontal.
LG – Aderência reforçada em escadas (ladder grip).
SR / SRA / SRC – Resistência ao deslizamento:
SRA – Teste em piso cerâmico com detergente
SRB – Teste em aço com glicerina
SRC – Cumpre ambos os testes, representando o nível máximo de resistência ao escorregamento
Qual a diferença entre S4 e S5?
S4 refere-se normalmente a botas impermeáveis moldadas com biqueira.
S5 acrescenta proteção anti-perfuração, sendo indicada para terrenos irregulares e trabalhos agrícolas ou municipais.
Qual a diferença entre calçado de segurança S1P e S3?
Para além das características do calçado S1P, o calçado S3 possui ainda propriedades antiestáticas e resistência à água, sendo o recomendado para trabalhos no exterior, construção e ambientes húmidos.
Normas Europeias presentes nestes produtos:
Normas Gerais de Calçado de Segurança
EN ISO 20345:2011
EN ISO 20345:2022
EN ISO 20347:2012
EN ISO 20344
Regulamentação Europeia
Cumpre o Regulamento (UE) 2016/425 (Equipamento de Proteção Individual – EPI)
Marcação CE